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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Processos erosivos.

PROCESSOS EXÓGENOS

A curiosidade maior dos alunos, que eu - inclusive - acredito ser mais pela sua denominação, sempre incide no que seja uma voçoroca. E, por mais que eu expliquei o seu processo evolutivo, seja oralmente ou por desenho esquemático no quadro desde o desenvolvimento inicial na forma de sulco, passando por ravinamento até alcançar o nível de voçoramento, a compreensão nem sempre é alcançada facilmente. 

Em decorrência disso, optei por publicar as imagens pertinentes a diversos processos erosivos (erosão e transporte) neste espaço para melhor visualização e compreensão destes, mas ressalto que todos têm em comum a água pluvial (das chuvas) como agente erosivo.

O escoamento superficial quando passa a ser concentrado deixa marcas visíveis no solo, as quais chamamos de sulcos. Estas são bem visíveis na paisagem. Com a incidência das chuvas, a água vai escavando e aprofundando mais, ainda, os sulcos, evoluindo para a formação de ravinas. A continuidade do ravinamento, com o incisão maior da água no solo pode chegar ao ponto de alcançar o lençol freático e, daí, o processo erosivo ganha maior força, agindo da "jusante para a montante" (de baixo para cima), formando a voçoroca.   

Em todas as imagens cito as fontes.


Imagem extraída do Dicionário Geológico-Geomorfológico
(GUERRA, Antonio Teixeira, 1987, pag. 349, RJ)



Deslizamento do solo com a remoção de parte da estrada
Desenho obtido da Cartilha Geologia: A Ciência da Terra
XXXIII Congresso Brasileiro de Geologia (SBG/UFRJ, 1984) 




Escoamento superficial (Bairro Pilar, Duque de Caxias, RJ)

Ravinas e Voçorocas em formação
Município de Vassouras 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Pontos culminantes (mais altos) do Brasil.

Pico da Neblina
    O IBGE concluiu, novas medições de sete pontos culminantes (mais altos) brasileiros, em parceria com o Instituto Militar de Engenharia (IME). O trabalho teve como principal objetivo rever as altitudes dos pontos mais elevados do País, utilizando recursos mais modernos e novas tecnologias, como o GPS (Sistema de Posicionamento Global) - sistema de navegação e posicionamento por satélite. A missão do IBGE nesta campanha, da qual participaram um técnico especializado em Geodésia e dois engenheiros-cartógrafos, além dos militares responsáveis pela logística, foi retratar com precisão o território brasileiro.
    Localizam-se no estado do Amazonas o primeiro e o segundo maiores pontos culminantes: Pico da Neblina e Pico 31 de Março. Na terceira colocação, está o Pico da Bandeira, situado no Espírito Santo. Em Minas Gerais, localiza-se o quarto maior ponto culminante, o Pico da Pedra da Mina. O pico das Agulhas Negras está situado no Rio de Janeiro e ocupa a quinta posição. O sexto maior ponto, o Pico do Cristal, encontra-se no estado de Minas Gerais. Na sétima colocação, está o Monte Roraima, que se situa no estado de Roraima.
    Após as novas medições, a suspeita, que já existia, pôde agora ser confirmada pelo IBGE: o Pico da Pedra da Mina, localizado no município de Passa-Quatro, Minas Gerais, é mais elevado do que o Pico das Agulhas Negras, pertencente a Itatiaia, no Rio de Janeiro. Antes de 2004, a última medição dos pontos culminantes havia sido feita na década de sessenta pelo Ministério das Relações Exteriores, através da Primeira Comissão Demarcadora de Limites. Naquela época, utilizou-se o barômetro, instrumento criado no século XVII para indicar a pressão atmosférica, a altitude e prováveis mudanças do tempo.
    NomeLocalidadeEstadoAltitudes Novas(m)**
    1º. Pico da NeblinaSerra ImeriAM2.993,78
    2º. Pico 31 de MarçoSerra ImeriAM2.972,66
    3º. Pico da BandeiraSerra do CaparaóES2.891,98
    4º. Pico da Pedra da MinaSerra da MantiqueiraMG2.798.39
    5º. Pico das Agulhas NegrasSerra do ItatiaiaRJ2.791,55
    6º. Pico do CristalSerra do CaparaóMG2.769,76
    7º. Monte RoraimaSerra do PacaraimaRR2.734,06

sábado, 1 de dezembro de 2012

SOLOS - Processo de formação




Você consegue imaginar uma plantação neste costão rochoso? É esquisito, parece que não existe solo. Observamos uma vegetação rasteira no alto do morro, mas, além do declive e da proximidade do mar, a foto mostra rochas que não se transformaram em solo propriamente dito, aquele que pode ser cultivado. Isto não quer dizer, entretanto, que toda rocha obrigatoriamente deverá se transformar em solo.

É importante visualizar os solos como corpos dinâmicos naturais, cujas características (como a de um ser vivo) são decorrentes das combinações de influências que recebem. Como o solo é substrato onde evoluem outros sistemas, tais características irão também influenciar na evolução de diferentes componentes das paisagens como: relevo, vegetação, comportamento hídrico.
O processo de formação de solos é chamado de intemperismo, ou seja, fenômenos físicos, químicos e biológicos que agem sobre a rocha e conduzem à formação de partículas não consolidadas.
Intemperismo físico: promove a modificação das propriedades físicas das rochas (morfologia, resistência, textura) através da desagregação ou separação dos grãos minerais antes coesos, acarretando no aumento da superfície das partículas, mas não modificando sua estrutura. Sua atuação é acentuada em virtude de mudanças bruscas de temperatura. Ciclos de aquecimento e resfriamento dão origem a tensões que conduzem a formação de fissuras nas rochas assim desagregando-as. A mudança cíclica de umidade também pode causar expansão e contração. Espécies vegetais de raízes profundas, ao penetrarem nos vazios existentes, também provocam aumento de fendas, deslocamento de blocos de rochas e desagregação.
A superfície exposta ao ar e a água, aumentada pela fragmentação, abre caminho e facilita o intemperismo químico.
Intemperismo químico: ocorre quando estratos geológicos são expostos a águas correntes providas de compostos que reagem com os componentes minerais das rochas e alteram significativamente sua constituição. Esse fenômeno é o intemperismo químico, que provoca o acréscimo de hidrogênio (hidratação), oxigênio (oxigenação) ou carbono e oxigênio (carbonatação) em minerais que antes não continham nenhum destes elementos. Muitos minerais secundários formaram-se por esses processos. Este tipo de intemperismo é mais comum em climas tropicais úmidos.
Intemperismo biológico: é caracterizado por rochas que perdem alguns de seus nutrientes essenciais para organismos vivos e plantas que crescem em sua superfície.
À medida que o intemperismo vai atuando (tempo), a camada de detritos torna-se mais espessa e se diferencia em subcamadas (horizontes do solo), que em conjunto formam o perfil do solo. O processo de diferenciação dos horizontes ocorre com incorporação de matéria orgânica no seu interior. Partículas migram descendentemente, levadas pela gravidade e até realizam movimentos ascendentes carregadas com a ascensão do lençol freático. Ainda, deve ser considerada a atuação de plantas, cujas raízes absorvem elementos em profundidade e estes são incorporados à superfície.
Na verdade, a origem e evolução dos solos são condicionadas por cinco fatores:
Material de origem: a ação do intemperismo nas rochas depende de seus materiais constituintes, sua estrutura e composição mineralógica;
Clima: precipitação e temperatura regulam a natureza e a velocidade das reações químicas. A disponibilidade de água (chuvas) e a temperatura agem acelerando ou retardando as reações do intemperismo;
Relevo: a topografia e a cobertura vegetal regulam a velocidade do escoamento superficial das águas pluviais. Isto interfere na quantidade de água que infiltra e percola no solo. Este processo (em tempo suficiente) é essencial para consumação das reações e drenagem;
Microrganismos: a decomposição de matéria orgânica libera gás carbônico cuja concentração no solo pode ser até 100 vezes maior que na atmosfera. Isso diminui o pH das águas de infiltração. Alguns minerais, como alumínio, tornam-se solúveis somente em pH ácido, isto é, necessitam desta condição para se desprender de sua rocha de origem. Outros produtos de metabolismo, como ácidos orgânicos secretados por liquens, influenciam também os processos de intemperismo.Assim como raízes que exercem forca mecânica nas rochas que pode acarretar em sua desagregação;
Tempo: variável dependente de outros fatores que controlam o intemperismo, principalmente dos constituintes do material de origem e do clima. Em condições de intemperismo pouco agressivas é necessário um tempo mais longo de exposição para haver o desenvolvimento de um perfil de alteração.
A partir de um perfil do solo, é possível visualizar a ação do processo de intemperismo!!!
Chama-se de perfil do solo a seção vertical que, partindo da superfície, aprofunda-se até onde chega a ação do intemperismo, mostrando, na maioria das vezes, uma série de camadas dispostas horizontalmente (horizontes), paralelas à superfície do terreno, que possuem propriedades resultantes dos efeitos combinados dos processos de formação do solo (pedogênese).