Mostrando postagens com marcador Aquecimento global. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aquecimento global. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Elevação dos mares ameaça a Flórida

NICK MADIGAN
DO "NEW YORK TIMES"

De acordo com as previsões mais pessimistas, as belas ilhas, comunidades e praias do sul da Flórida podem desaparecer em apenas cem anos, devido à elevação das águas do mar. Mais para o interior, a região pantanosa de Everglades, que garante o suprimento de água doce da região, pode um dia ser contaminada pelo avanço do mar. E o arquipélago de Florida Keys, que se estende para dentro do golfo do México, será quase inteiramente submerso. 

"Acho que as pessoas não entendem como a Flórida é vulnerável", disse Harold R. Wanless, presidente do departamento de ciências geológicas da Universidade de Miami. "Até o final do século, teremos quatro, cinco ou seis pés de água, ou mais. É preciso acordar para a realidade que está por vir."

A preocupação com a elevação do mar está levando governos locais a entrar em ação. Com população conjunta de 5,6 milhões de habitantes, os condados de Broward, Miami-Dade, Monroe e Palm Beach formaram uma aliança para procurar soluções.

A Flórida, que sempre foi fustigada por furacões e enchentes, é o Estado americano mais vulnerável à elevação do nível do mar. Mesmo previsões mais conservadoras que as do professor Wanless consideram que a maior parte da região costeira baixa da Flórida será sujeita a inundações cada vez mais frequentes, à medida que o degelo das calotas polares se acelerar e que os oceanos subirem de nível e avançarem terra adentro.

Boa parte dos 1.900 km de litoral da Flórida fica pouco acima do nível atual do mar. Construções, estradas e outros elementos de infraestrutura que valem bilhões de dólares têm seus alicerces sobre calcário, que solta água como uma esponja.

Até agora a questão não chamou muito a atenção dos parlamentares estaduais e parece ser igualmente ignorada por segmentos da comunidade que têm interesse financeiro em proteger a dinâmica economia do sul da Flórida.

"A maioria dos empresários está alheia ao problema", disse Wayne Pathman, advogado de Miami especializado no uso da terra. Em última análise, disse ele, o indicador mais forte da crise será a recusa das seguradoras em cobrir riscos em áreas costeiras.

"As pessoas tendem a subestimar a gravidade do que pode acontecer aqui", disse Ben Strauss, diretor do Programa de Elevação do Nível do Mar da organização científica independente Climate Central. Para ele, os efeitos sobre o valor dos imóveis podem ser devastadores. Suas pesquisas mostram que há imóveis no valor de US$ 156 bilhões em terrenos situados menos de um metro acima da linha da maré alta na Flórida.

O professor Wanless acha que a única saída é estudar medidas como uma moratória sobre as construções em áreas costeiras e obrigar os moradores dessas áreas a se mudarem para o interior.

Mas, para Charles Tear, coordenador de emergências de Miami Beach, "o céu não está caindo, embora o nível da água esteja subindo". Tear revelou que ele e outros administradores de Miami Beach se pautam pela previsão mais conservadora, segundo a qual o nível do mar subirá até 38 centímetros nos próximos 50 anos.

"Não podemos pensar nos próximos cem anos", explicou. "Temos que ser realistas."
Folha de S. Paulo 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

África e da Ásia são mais vulneráveis às mudanças climáticas

Estudo britânico analisou a exposição a eventos climáticos extremos, tais como secas, ciclones, incêndios florestais e tempestades

AFP
Foto: The New York Times
Seca: Somalis chegam a acampamento para refugiados no Quênia

Um terço da população, a maioria na África e no sul da Ásia, é mais vulnerável aos riscos das mudanças climáticas, enquanto os habitantes dos países ricos no norte da Europa são os menos expostos, segundo um relatório de uma empresa britânica especializada em análise de riscos.

Bangladesh, Índia e República Democrática do Congo (RDC) estão entre os 30 países em risco "extremo" frente às alterações no clima, segundo um ranking de 193 países feito pela companhia Maplecroft, divulgado na quarta-feira.

Cinco países do sudeste asiático - Indonésia, Mianmar, Vietnã, Filipinas e Camboja - também estão nesta categoria, em parte por causa da elevação do nível dos mares e do aumento dos eventos de tempestades tropicais severas.

A ferramenta usada pela Maplecroft, o Índice de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas (CCVI), analisa a exposição a eventos climáticos extremos, tais como secas, ciclones, incêndios florestais e tempestades, que se traduzem em estresse hídrico, perda de colheitas e avanço do mar sobre a terra.

A vulnerabilidade da sociedade a estes eventos também é medida, juntamente com o potencial do país a se adaptar aos riscos vinculados às mudanças climáticas.

Dos 30 países identificados no relatório como em risco "extremo" pelas mudanças no clima, dois terços ficam na África e todos estão em países em desenvolvimento.

Segundo o documento, a África é especialmente vulnerável a secas, cheias severas e incêndios florestais.

"Há muitos países vulneráveis mesmo com uma exposição relativamente baixa a eventos climáticos", comentou Charlie Beldon, co-autor do estudo.

Economias frágeis, serviços de saúde inadequados e governos corruptos diminuem a margem de absorção de impactos climáticos.

No outro extremo da tabela, Islândia, Finlândia, Irlanda, Suécia e Estônia ocupam o topo da lista dos países considerados em menor risco.

Com a exceção de Israel e dos petrolíferos Qatar e Bahrein, os 20 países menos vulneráveis ficam no norte e no centro da Europa.

A China e os Estados Unidos - o primeiro e o segundo maiores emissores de carbono do planeta - ocupam, respectivamente, as categorias "média" e "baixa" de risco.

Em uma análise paralela sobre as cidades mais vulneráveis, a Maplecroft citou Daca, Adis Abeba, Manila, Calcutá e a cidade bengalesa de Chittagong como as mais expostas.

Outras três metrópoles indianas - Chennai, Mumbai e Nova Délhi - foram listadas na categoria de risco "elevado".

"A vulnerabilidade às mudanças climáticas tem o potencial de minar o desenvolvimento futuro, particularmente na Índia", alertou Beldon.

Estudos recentes - revistos em um relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), com publicação prevista para o próximo mês - apontam para evidências que reforçam os vínculos entre o aquecimento global e eventos climáticos extremos.

Segundo alguns especialistas, as secas recorde registradas na Austrália e na África, as inundações no Paquistão e na América Central, bem como os incêndios na Rússia e nos Estados Unidos podem ter sido, em parte, provocados pelas mudanças climáticas.

De acordo com algumas previsões, as tendências atuais de aquecimento se encaminham para uma elevação global da temperatura do planeta em 3 graus Celsius.

http://ultimosegundo.ig.com.br