sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Hotspots: Definição na questão ambiental e sua distribuição Geográfica


 Imagem capturada na Internet (Fonte: Parques Nacionais do Brasil) 
 Do que se trata o Hotspot?
 A tradução do termo, em inglês, Hotspot é "ponto quente" e este se refere a um conceito ambiental, que muitos desconhecem. Mas, devemos tomar conhecimento até porque dos 34 hotspots identificados na superfície terrestre, dois se encontram localizados em nosso território: a Mata Atlântica e o Cerrado

Imagem capturada na Internet (Fonte: Danilo Eco)


Imagem capturada na Internet (Fonte: Instituto Sociedade, População e Natureza)
Só na América do Sul são cinco (incluindo estes dois) e, no continente americano todo, são nove. A América só é superada pela Ásia, que possui dezHotspots.
 Este termo ambiental foi criado pelo ecólogo e cientista inglês, Norman Myers, da Oxford University, no ano de 1988. Inicialmente, Norman Myers identificou apenas 10 hotspots no planeta.
São considerados Hotspots, todas as áreas que apresentam uma grande biodiversidade, mas que se encontram em alto risco de degradação ambiental (já devastada e tendendo a se agravar). Em outras palavras, são áreas críticas para a conservação, pois a sua biodiversidade se encontra ameaçada de extinção.
Os critérios para a classificação das áreas em um hotspots, de acordo com Myers, é que ela possua – no mínimo - 1.500 espécies endêmicas de flora e que tenha perdido mais de ¾ de sua vegetação natural. Daí, a inclusão dos biomas brasileiros, Mata Atlântica e Cerrado, na lista dos hotspots da Terra.
Como se tratam de áreas com grande biodiversidade, além da riqueza em termos de flora (vegetação), inclui-se as espécies da fauna (animais). A ameaça ou risco, sobretudo, da vegetação nativa implica consequentemente na integridade e conservação das espécies animais.
Entendem-se por plantas endêmicas, as espécies que só nascem em um determinado local, isto é, a sua distribuição geográfica se limita a um determinado ponto da Terra (país, região, continente etc.), não existindo em nenhum outro lugar.
Com base no trabalho de pesquisa realizado por Myers, outros pesquisadores também passaram a investigar, ampliando o número de hotspots no planeta.
Dos 10 hotspots identificados por Myers, o primatólogo estadunidense Russell Mittermeier da Organização Não Governamental Conservação Internacional (C.I.)  – em pesquisa realizada entre 1996 a 1999 - expandiu para 25 as áreas avaliadas como hotspots, cobrindo 1,4% da superfície terrestre.
No início de 2005, a referida Organização Não Governamental  atualizou os dados e ampliou o número de hotspots existentes na superfície terrestre com mais 9 regiões, aumentando para 34 hotspots em todo o planeta.
Todos os hotspots, juntos, somam uma área correspondente a 2,3% da Terra, onde se encontram 50% da flora e 42% de vertebrados da superfície terrestre.
Vejamos a lista dos 34 hotspots da Terra, identificados por continentes:
. ContinenteAMÉRICA (09 hotspots)
           1. América do Norte
  

. Província Florística da Califórnia (EUA);
. Floresta de Pinho – Encino de Sierra Madre (México e EUA);
         2. América Central
 . Mesoamércia (Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize e México);
. Ilhas do Caribe;
         3. América do Sul
. Andes Tropicais;
. Florestas Valdivias (Chile Central);
. Tumbes-Choco-Magdalena (Panamá, Colômbia Peru e Equador);
. Cerrado (Brasil);
. Mata Atlântica (Brasil, Argentina e Paraguai).
 . Continente: ÁFRICA (08 hotspots)
. Florestas da Guiné (África Ocidental);
. Província Florística do Cabo (África do Sul);
. Karoo das Plantas Suculentas (África do Sul e Namíbia);
. Madagascar e Ilhas do oceano Índico (África);
. Montanhas do Arco Oriental (África);
. Florestas Afromontanas (África Oriental);
. Mapuland-Pondoland-Albany (Moçambique, Suazilândia e África do Sul);
. Chifre da África (Somália, Etiópia, Djibout e Eritreia).
 . Continente: EUROPA (02 hotspots)
. Bacia do Mediterrâneo;
. Cáucaso (Região de transição entre a Europa Oriental e Ásia Ocidental).
 Continente: ÁSIA (10 hotspots)
. Ghates Ocidentais (Índia e Sri Lanka);
. Montanhas do Centro Sul da China;
. Sunda (Malásia, Brunei e Indonésia);
. Wallacea (Indonésia);
. Filipinas;
. Regiões Indo (Birmânia – Myanmar);
. Himalaia (Paquistão, Índia, Nepal, China e Butão);
. Anatólia Iraniana;
. Montanhas da Ásia Central;
. Japão.
. Continente: OCEANIA (05 hotspots)
. Sudoeste Australiano;
. Nova Caledônia (Austrália);
. Nova Zelândia;
. Ilhas da Polinésia e Macronésia;
. Ilhas da Melanésia Oriental.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Sandy: ganhou a alcunha de "tempestade perfeita"


O Sandy em ação, em imagem da Nasa divulgada esta terça-feiraDIVULGAÇÃO
Aquecimento global aumenta potência de furacão
Encontro com frente fria e pressão baixa fizeram de Sandy a ‘tempestade perfeita’

Os ventos e chuvas que paralisaram Nova York, chegando mesmo a provocar nevascas em partes da Costa Leste americana devem parte de sua intensidade ao aquecimento global. Segundo o Centro Nacional para a Investigação Atmosférica dos EUA o aumento da temperatura do planeta contribui para que um furacão como o Sandy veja sua força crescer em até 10% — o suficiente para ampliar os estragos em 60%. E ainda há fatores atípicos para que o Sandy ganhe a alcunha de “tempestade perfeita” (ou “perfect storm”).

Outro levantamento americano, este assinado pelo Instituto de Estudos Oceanos e Atmosféricos (Noaa), já mostrava como o aquecimento global pode alimentar os furacões. Estes fenômenos climáticos serão mais escassos, embora mais intensos. Os remanescentes serão, na maioria das vezes, justamente os furacões de categoria 4 e 5, como o Katrina, que deixou cerca de 1.800 mortos em Nova Orleans (EUA) em 2005. A explicação está na temperatura da água, mais quente, no maior volume de chuvas e nas ondas maiores.

Ao lado do Katrina, o Sandy parece tímido — era um furacão de categoria 1, rebaixado a tempestade tropical. Mas há uma série de fatores que farão o novo furacão ser estudado nos próximos anos. Para além da questão do aquecimento global, Sandy é uma “tempestade perfeita”, fenômeno só visto anteriormente uma vez, exatamente há 21 anos, quando o termo foi cunhado, também no Atlântico Norte.

Dessa vez, no entanto, a tempestade avançou para uma área muito maior.

— A região afetada, além do litoral de Massachussetts a Maryland, avança até o interior do país, chegando a Illinois, no Centro-Oeste — descreve a astrônoma Duilia de Mello, do Goddard Space Flight Center, da Nasa. — O Sandy é interessante porque, ao vir pelo Atlântico e se aproximar do continente, ele bateu de frente com uma frente fria. A pressão atmosférica baixou, aumentando a precipitação e deixando os ventos mais fortes. Uma conjunção como essa só havia sido vista antes em 1991, e sobre o oceano. É algo totalmente atípico.

A frente fria, que vem do Canadá, é ainda mais intensa em regiões ao norte de Nova York, onde já neva intensamente, no local em que a tempestade se encontrou com a frente fria. A passagem do Sandy por estes locais, se ele não se dissipar, poderia causar mais inundações e neve.

— A temporada de furacões vai até 30 de novembro, mas este ano, à exceção do Sandy, não foi intenso — pondera Duilia. — No Sul, onde passou o Katrina em 2005, nada demais até agora.

O Katrina, quando chegou a Louisiana, principal cenário da tragédia, passou pela Flórida ainda como um furacão de categoria 1. Ele se alimentou das águas quentes do Golfo para tornar-se um fenômeno 5. É para que casos como esse não se repitam que meteorologistas pedem urgência na redução das emissões de CO2 na atmosfera. A água mais quente evapora mais, aumentando o volume das tempestades.

A Noaa previu, em 2010, que as tempestades serão 20% maiores a até 100 quilômetros do olho de um furacão, considerando um cenário em que a temperatura da Terra aumentará em 2,8 graus Celsius — o que já é dado como certo até o fim do século pelos climatologistas. Se o Sandy tornar-se regra, em vez de exceção, este cálculo será atingido bem antes.
Jornal O Globo

Setembro tem recorde de calor e de gelo na Antártida


Nasa/AFP
Imagem do gelo antártico tirada pelo satélite Aqua, da NASA

DA REUTERS

O mês passado foi o setembro mais quente já registrado na Terra, dizem cientistas de uma agência governamental americana que estuda o clima e o oceano.

A média da temperatura global dos continentes e dos oceanos no mês passado foi de 15,67º C ou 0,67º C acima da média geral do século 20.

A temperatura média global só dos continentes em setembro foi a terceira mais quente já registrada para esse mês.

A Rússia central, o Japão, o oeste da Austrália, o norte da Argentina, o Paraguai, o oeste do Canadá e o sul da Groenlândia tiveram temperaturas maiores que a média em setembro, enquanto o leste da Rússia, o oeste do Alasca, a África do Sul, grande parte da China e partes do Centro-Oeste superior e sudeste dos Estados Unidos registraram temperaturas notavelmente abaixo da média.


POLOS OPOSTOS

A cobertura de gelo no Ártico atingiu seu menor nível histórico no último mês, enquanto a Antártida registrou sua maior cobertura de gelo na história.

"A magnitude dos recordes em cada região (ártica e antártica) é muito diferente", diz Deke Arndt chefe do monitoramento climático da agência americana. "O Ártico está deixando todos os recordes para trás, não existem superlativos suficientes para descrever o que vem acontecendo lá nos últimos cinco ou seis anos".

Para contextualizar o atual recorde negativo de gelo no Ártico, basta comparar com o último recorde, registrado em 2007, quando especialistas disseram que a queda na cobertura de gelo no Polo Norte era "assombrosa" e um sinal claro da aceleração do aquecimento global.

Portanto se o recorde de gelo na Antártida é o "rei do pedaço", diz Arndt, "o recorde que o Ártico vem construindo é totalmente diferente. A mudança é maior, mais rápida e está estabelecendo novas características na região".

As condições do Ártico são importantes, já que a região é às vezes chamada de "ar condicionado da Terra" por sua capacidade de influenciar a temperatura no planeta.

O aumento do gelo antártico, apesar de contraintuitivo, é devido a mudanças no padrão dos ventos, o acaba que empurrando o gelo do mar para fora, aumentando a sua extensão.

"Um mundo mais quente pode ter consequências complexas e às vezes surpreendente ", disse pesquisador Ted Maksym, de um navio de pesquisa australiano cercado por gelo marinho da Antártida.

David Vaughan, da Pesquisa Antártica Britânica diz que "sim, o que está acontecendo na Antártica tem as impressões digitais da atuação humana nas mudanças climáticas."
Folha de S.Paulo

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Migrações pendulares


Populações se deslocam todos os dias
Ronaldo Decicino*
As migrações em território brasileiro - ou seja, os deslocamentos populacionais - podem ocorrer de forma permanente ou temporária, e estão associadas, desde o tempo da colonização, a fatores econômicos. Por exemplo, quando terminou o ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste e teve início o ciclo do ouro, em Minas Gerais, houve um grande deslocamento de pessoas e um intenso processo de urbanização no novo centro econômico do país.

Na verdade, qualquer região que receba investimentos produtivos, públicos ou privados, que aumentem a oferta de emprego, receberá também pessoas dispostas a preencherem os novos postos de trabalho.

Surgimento das metrópoles
Um outro exemplo pode ser encontrado no período que vai de meados da década de 1950 até o final dos anos 70, quando se acelerou o processo de industrialização nas grandes cidades e houve intensa concentração de terras no campo, nas mãos de poucos proprietários. Durante aqueles anos o Brasil sofreu um intenso êxodo rural, ou seja, a saída de pessoas do campo em direção às cidades.

Como essas cidades não receberam investimentos públicos em obras de infra-estrutura urbana - como habitação, saneamento básico, saúde, educação, transportes coletivos, lazer, etc. -, elas passaram a crescer desordenadamente, sobretudo ao redor dos bairros industriais, criando grandes bairros periféricos, bolsões de pobreza onde eram erguidas favelas e apareciam loteamentos clandestinos.

Esse processo levou ao surgimento das metrópoles - como, por exemplo, a Grande São Paulo: conjuntos de cidades interligadas, onde ocorre um deslocamento diário de pessoas entre os municípios.

Deslocamentos pendulares
Assim, o aparecimento desses conglomerados de cidades deu origem a um novo tipo de movimento migratório: um movimento diário, que podemos chamar de deslocamentos pendulares: pessoas que residem em um município e trabalham ou estudam em outro, deslocando-se diariamente.

Esses deslocamentos se ampliam e tornam-se mais complexos a cada dia, devido ao surgimento e à consolidação de novos pólos secundários de atração populacional. A incorporação de novas áreas residenciais, a busca por emprego ou serviços e a oferta de transportes mais eficientes em alguns pontos das metrópoles: todos esses elementos favorecem a consolidação desse fenômeno.

No Brasil, com base nos resultados do Censo de 2000, tínhamos 7,4 milhões de pessoas trabalhando ou estudando fora do município de residência.

Essas migrações diárias ou pendulares não se caracterizam, contudo, como verdadeiras migrações (no sentido clássico do termo), pois não são realizadas com o intuito de uma mudança definitiva.

Exemplos de migrações pendulares
1. Deslocamento de pessoas que deixam o interior nordestino nos períodos de seca para trabalhar no litoral, regressando ao local de origem após terminar o problema climático ou o trabalho sazonal.

2. Viagens de residentes em cidades-dormitório, realizadas por pessoas que moram em uma determinada cidade e trabalham em outra.

3. Deslocamentos de fins de semana e de férias, com objetivos de lazer e descanso. Esse fluxo é conhecido como commuting e é o principal fator de congestionamentos nas estradas que partem das grandes metrópoles em direção às praias ou às regiões campestres.

4. Deslocamentos de bóias-frias, ou seja, de trabalhadores que se deslocam, diariamente, de suas residências em direção às fazendas onde trabalham, e, à tarde, regressam às suas casas. Há também o chamado movimento sazonal, em que os bóias-frias podem atuar nas diferentes áreas do país, nas diversas épocas de colheita, transformando-se assim nos chamados trabalhadores volantes.

Como podemos ver, as migrações pendulares diferenciam-se do conceito puro de migração, pois não há, nesse fenômeno, uma mudança permanente. Mas são fluxos populacionais significativos em determinadas áreas e ocorrem sob diferentes formas, tornando-se cada vez mais comuns nas grandes cidades.
*Ronaldo Decicino é professor de geografia do ensino fundamental e médio da rede privada.
http://educacao.uol.com.br/

Despoluição da Baía de Guanabara vira esgoto


Em 20 anos, despoluição da Baía de Guanabara vira esgoto

Manuela Alegria
Anunciado com pompa durante a Rio-92, programa já torrou US$ 1,17 bilhão e a baía continua imunda.
RIO – O Dia Mundial da Água – data criada pela ONU e comemorada amanhã, 22 de março – tinha tudo para transformar este ano a Baía de Guanabara no cenário de uma festa especial. A três meses da Rio+20, a conferência sobre o desenvolvimento sustentável que deve atrair ao Rio de Janeiro mais de 100 chefes de Estado, a Cidade Maravilhosa poderia mostrar ao mundo a recuperação de sua baía, banhada por dezenas de rios, originalmente cercada por manguezais e antigo hábitat de golfinhos e tartarugas marinhas.
Anunciado há 20 anos, durante a Rio-92, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara começou a ser executado em 1995, foi prorrogado oficialmente sete vezes e, após consumir mais de US$ 1 bilhão, continua inacabado. Hoje, apenas 36% de todo o esgoto gerado nos 15 municípios do entorno é tratado. Um dos maiores símbolos da beleza natural do Rio no passado, a baía recebe em média 10 mil litros por segundo de esgoto sem tratamento. Duas décadas depois, o cartão-postal do Rio de Janeiro continua lindo – mas seu odor é fétido.
Nenhuma das quatro estações construídas ao longo do projeto, que ficou conhecido pela sigla PDBG, está operando plenamente. O programa passou por seis governos desde a assinatura do contrato com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 1994. Inicialmente, a previsão para conclusão da primeira fase de obras era de cinco anos, chegando a 51% de esgoto tratado. Além do fiasco e do atraso, há questionamentos sobre a qualidade do tratamento. Outra crítica comum é de que tenha havido um desvio do conceito original, mais amplo. Na prática, ficou restrito ao saneamento básico, sem um plano ambiental.
Recursos. O PDBG consumiu US$ 1,17 bilhão em recursos do BID, da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e do governo do Estado. O primeiro desembolso ocorreu no fim de 1994, ano de implantação do Plano Real, e o dólar teve grande variação no período de contrato: chegou a valer R$ 4 em 2002.
Até hoje o esgoto não chega à estação de tratamento de São Gonçalo, inaugurada no fim do governo Marcello Alencar (1995-1998) – faltaram as redes. A estação da Pavuna, projetada para tratar 1.500 litros por segundo, recebe menos de 200. Na de Sarapuí, com a mesma capacidade, são tratados de 600 a 900 litros/segundo.
A maior delas, a de Alegria, projetada para 5.000 l/s, opera com metade disso. As estações da Pavuna, de Sarapuí e de Alegria foram inauguradas no governo de Anthony Garotinho (1999-2002), e o atual governador, Sérgio Cabral Filho, reinaugurou as duas últimas, com tratamento secundário.
No contrato, estavam previstos 1.248 km de redes coletoras de esgoto e 178 mil ligações domiciliares. Foram executados apenas 603 km de redes e 54 mil ligações até novembro de 2006, segundo o último relatório do BID. De acordo com a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), foram instalados 697 km de redes coletoras desde 2007, início da atual gestão – o número de ligações domiciliares, também solicitado pela reportagem, não foi informado.
Denúncias. “Os principais problemas do PDBG foram a falta de transparência, de articulação com os municípios, de regulação da Cedae e, principalmente, a fraude cavalar de fazer as estações sem a rede”, afirma o secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc. Autor de uma série de denúncias de irregularidades em obras do programa enquanto era deputado estadual pelo PT, Minc conseguiu em novembro de 2011 a aprovação no BID de um novo empréstimo de US$ 452 milhões para melhorar a coleta do esgoto despejado na baía.
O PDBG estava tão queimado que o programa mudou de nome para Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara (PSAM).
Minc afirma que o volume de esgoto tratado no início do governo Cabral, em 2007, era de 20% e chegará a 40% ainda neste semestre. “A nossa meta é chegar a 2014 com 65% e na Olimpíada (em 2016) com 80%”, diz.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, apresenta números um pouco diferentes. “Quando entramos (em 2007), era pouco mais de 15% e hoje estamos em quase 50%. Vamos chegar a 80% da baía em 4 anos.” A meta apresentada pelo BID junto com o novo financiamento foi mais conservadora: 80% até 2018.
Um símbolo dos erros do programa é o que ocorreu com a estação de Paquetá. Fora de uso por muito tempo, ficou deteriorada, e o governo desistiu de colocá-la em funcionamento.
“Chegamos à conclusão de que era mais barato passar os tubos por baixo d’água e levar o esgoto para a estação de São Gonçalo”, diz Minc. Mas a de São Gonçalo precisa ser refeita. “Ela foi inaugurada três ou quatro vezes e não funciona até hoje”, conta a engenheira Dora Negreiros, que participou da concepção do PDBG e preside o Instituto Baía de Guanabara.
Lixo. Minc afirma que estações de tratamento ficaram secas por até 13 anos “porque a grana para essas obras vinha de fora”. “Já a grana para fazer redes, conexões, era do Fecam (fundo estadual), que ia para tudo, menos para saneamento e ambiente. Rede é debaixo da terra, o que dá voto é estação. São elefantes brancos, monumentos à incompetência, ao descaso, à ilusão.”
Para Victer, os maiores problemas hoje são o lixo – um dos alvos (e fracassos) do programa original – e o fato de algumas empresas não quererem se conectar à rede de esgoto. “Vamos acabar com todos os lixões do entorno da baía este ano”, promete Minc.
A recuperação ambiental da baía é um dos compromissos assumidos pelo governo para a realização da Olimpíada de 2016.
Publicado originalmente no Estadao.com
Revista Meio Ambiente

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Mercosul..."bloqueio" ao Paraguai e entrada da Venezuela.

                                  Imagem capturada na Internet (Fonte: Outras Mídias)

A entrada da Venezuela no Mercosul ainda vai ser assunto, por muito tempo, nos principais veículos de comunicação, não só pela atual conjuntura em que foi ratificada e oficializada a sua adesão, sem a participação do Paraguai, como também pela polêmica existente com relação ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, isto é, ao seu regime de governo no âmbito da entidade supranacional e no cenário internacional.

Embora, sua entrada no Mercosul (Mercado Comum do Sul) tenha sido aprovada no mês passado e selada no último dia 31 de julho, o seu ingresso oficial ao bloco econômico ocorrerá somente no próximo dia 13 de agosto. Com o seu ingresso, o Mercosul passa a ter 5 países-membros: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela.

O protocolo de adesão da Venezuela ao referido bloco econômico já havia sido assinado, desde 2006, por três dos quatro países-membros do Mercosul, ou seja, Brasil, Argentina e Uruguai. O Paraguai foi o único a discordar do seu ingresso e, por isso, não assinou o protocolo, na época.

Em virtude dos últimos acontecimentos no Paraguai, com o impeachment do então presidente Fernando Lugo, aprovado no dia 22 de junho deste ano, o referido país foi suspenso do Mercosul pelos demais membros do blocoeconômico, que consideraram antidemocrático o processo de cassação do governo, tendo em vista que não foi dado o direito de defesa ao ex-presidente, Fernando Lugo. Esta suspensão estará em vigor até abril de 2013, quando estão previstas as novas eleições no país.

Há quem pensa que a suspensão do Paraguai no Mercosul confere a sua saída do bloco. Não. Ele apenas se encontra suspenso das reuniões, discussões e decisões a serem tomadas pelos outros países-membros do bloco econômico.

Com esta suspensão do Paraguai, os três sócios (Brasil, Argentina e Uruguai) decidiram ratificar a adesão da Venezuela ao bloco comercial e, em consequência dos fatos e de sua posição em relação ao mais novo membro, muitos políticos e até a sociedade civil do Paraguai classificaram ilegal o acordo aprovado e firmado entre eles.

A iniciativa foi brasileira, uma vez que até o final do ano, o Brasil exerce a Presidência Pró-Tempore, isto é, ele ocupa o cargo rotativo da Presidência do Conselho do Mercado Comum, órgão decisório do bloco, cabendo a ele - entre outras funções - organizar e exercer o papel de porta-voz nas reuniões ou foros internacionais.

Daí, o Brasil ter sediado a cúpula extraordinária do Mercosul, em Brasília, no dia 31 de julho, com a participação da Dilma Rousseff como atual gestora, dos representantes dos outros dois sócios do bloco, os presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e José Mujica (Uruguai) e o próprio presidente Hugo Chávez para selar a entrada de seu país no bloco.

Compete ao Brasil, ainda, na condição de Presidência Pró-Tempore, agilizar todo o processo formal de sua adesão ao bloco, até o final deste ano e início de 2013, segundo as regras do mesmo, que além do livre comércio conta com a Tarifa Externa Comum, que abrange todo o comércio de produtos com outros países.

De acordo com o artigo 12 do Tratado de Assunção e o artigo 5 do Protocolo de Ouro Preto, cada país-membro do Mercosul deve exercer, de forma rotativa, em ordem alfabética e por um período de 6 meses, a Presidência do Conselho do Mercado Comum.

No mesmo dia do seu ingresso ao Mercosul ter sido acordado, em Brasília, o presidente Hugo Chávez consagrou a solenidade com a compra de produtos dos países-membros presentes. Com o nosso país, ele firmou um contrato de compra de 20 aviões da Embraer (aeronaves do tipo 190AR) em um negócio que pode chegar a 900 milhões de dólares. Com a Argentina, o presidente anunciou uma parceria entre a estatal venezuelana de petróleo PDVSA com a YPF e, com o Uruguai, ele acertou uma linha hídrica entre os dois países e sinalizou possíveis acordos automotivos.



Imagem capturada na Internet (Fonte: Exame.com)


A resistência do Paraguai em aceitar a Venezuela como país-membro do Mercosul também foi compartilhada com o Uruguai, mas este último acabou cedendo graças as pressões do Brasil e da Argentina. De acordo com o ministro da Secretaria de Informação e Comunicação do Paraguai, Martín Sannemann, o problema não é com a Venezuela, enquanto nação, mas a linha política e ideológica de seu atual presidente Hugo Chávez, que concentra todo o poder em suas mãos, não respeitando a democracia e nem os direitos humanos.

Segundo o Diretor-Executivo da Organização Internacional Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, tanto o Brasil quanto a Argentina e o Uruguai terão a incumbência de pressionar pela mudança no regime político do presidente Hugo Chávez. Caso contrário, eles estarão violando um dos compromissos essenciais do bloco, estabelecido no Protocolo de Assunção, em 2005, acerca da Promoção e Proteção dos Direitos Humanos no Mercosul,

(...) o governo Chávez sistematicamente debilitou as instituição democráticas,
concentrou poder em suas mãos e anulou as garantias
aos direitos humanos nos últimos 13 anos.
Não há uma única instituição no país capaz de controlar o Executivo
- nem mesmo o Supremo Tribunal de Justiça,
transformado em um "apêndice do governo".
"Todas as instituições estão a serviço da agenda do governo de Chávez,
salvo a sociedade civil e a imprensa independente"...

(Denise Chrispim Marin, correspondente em Washington)


Daí, muitos acreditarem que a adesão da Venezuela ao Mercosul assinala um retrocesso à prática democrática, assim como fere a imagem da entidade supranacional no cenário internacional, seja pela sua entrada ao bloco seja pela não participação do Paraguai na votação. Enquanto outros, por sua vez, conseguem desvencilhar deste embate ideológico e ver – através da sua integração - grandes possibilidades de mudanças no regime de governo de Hugo Chávez, bem como, é claro, da abertura e trocas comerciais favoráveis para todas as partes envolvidas.


Afinal, com a entrada da Venezuela, um grande mercado passa a ser incorporado ao grupo e todo o Mercosul passa a ter acesso a reservas minerais e energéticas. A própria presidente Dilma Rousseff afirmou que, com o ingresso da Venezuela, o Mercosul passará a ser uma potência energética.


Para a Venezuela, especificamente, a sua adesão possibilitará a ampliação e diversificação de sua produção, até então, baseada na exploração de petróleo, além desta se beneficiar do ponto de vista alimentar, uma vez que Brasil, Argentina e Uruguai se configuram ainda como grandes produtores agrícolas. Para o Brasil ampliam-se as negociações comerciais, também, com os produtos industrializados brasileiros.



Imagem capturada na Internet (Fonte: Estadão.Com.Br)


Como podemos perceber, as discussões acerca do ingresso da Venezuela no Mercosul pairam sobre duas vertentes, a política, com opiniões divergentes e polêmicas e, a outra, comercial, objetivo principal da integração dos mercados, cujos benefícios pode tornar o Mercosul como o principal bloco comercial da América do Sul.

Só para se ter uma ideia, com a integração da Venezuela, o Mercosul passa a contar com 270 milhões de habitantes (cerca de 70% da população sul-americana), com um PIB (Produto Interno Bruto) na ordem de US$ 3,3 trilhões (83,2% do PIB da América do Sul) e com um território de cerca de 12,8 milhões Km2.

Segundo especialistas, com a entrada da Venezuela, outros países tenderão a ingressar no bloco econômico, sobretudo, aqueles cujos Chefes de Governo já manifestaram interesse ou aqueles sejam alvos dos próprios países-membros do Mercosul. Entre estes, se encontram: o Equador, a Colômbia, o Chile, o Peru e a Bolívia.





Fronteira Supranacional do Mercosul



. Outras Mídias



Apenas para lembrar que a democracia em risco no Paraguai: O poder contra o povo.




Pensávamos que já havíamos deixado para trás a época dos golpes de estado na America do Sul. Praticamente TODOS os países do continente sul-americano sofreram com golpes que retiraram do poder presidentes legitimamente eleitos pelo povo. Mas parece que a história se repete. Novamente.

Após 28 pedidos de abertura de processos de impeachment pela oposição paraguaia, com uma rapidez de um raio, a Câmara paraguaia aprova um processo contra o Presidente Lugo que, também na correria, terá de apresentar sua defesa em duas horas no Senado(leia AQUI e AQUI).

Na realidade, o que ocorre é que, Lugo, vê com bons olhos os movimentos sociais e está colocando em curso, a revisão dos títulos de propriedades terras no Paraguai, com vistas a desapropriação e assentamento dos chamados "carperos" ou os sem-terra daquele país.

Isso é mal visto pelos conservadores, que são a maioria no parlamento. Estes, também, são apoiados pelos latifundiários onde, os brasileiros, possuem vastas extensões de terra. O fato que desencadeou o processo deu-se em decorrência de um confronto ocoorido no interior do Paraguai, onde sem terras e policiais acabaram mortos.

O julgamento (se é que é um julgamento) se baseia em uma acusação um tanto quanto vaga, a de que Lugo, não leva de maneira satisfatória seu mandato.

Se a moda pega, não fica mais no cargo nenhum preisdente da América do Sul e, eu penso, no mundo. Pois é um argumento subjetivo e inespecífico que depende da visão de cada um. Uma pessoa acha que algo é muito bom... mas outra vai achar completamente o contrário.

Idiossincrasias. A democracia não é feita de rupturas e sim de entendimentos.
Pobre Paraguai.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os Estados Unidos não é tudo aquilo de bom, não mesmo...


A maioria dos pessoas acredita que os Estados Unidos da América seja um país verdadeiramente livre. Um país em que as pessoas têm acesso a tudo que é oferecido pelo capitalismo e pelo liberalismo. Onde a democracia é um bem de todos os seus cidadãos e que, a justiça é plena e vivida por todos, pobres ou ricos, pretos ou brancos.


Mas a realidade é muito, mas muito, distante disso.

Vejam AQUI e AQUI os dez fatos chocantes sobre os Estados Unidos que, de uma forma inequívoca, colocam esta nação em igualdade com qualquer outro país que seja definido como sendo uma ditadura, ou algo parecido.

1. Maior população prisional do mundo
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Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.

2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.


Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.


O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo. O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.

4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.


Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.


Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temer ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.

( Nós vemos por aqui as ínúmeras reclamações, e com razão, sobre os problemas enfrentados por que precisa do SUS - Sistema Único de Saúde mas, se levarmos em conta que, nos EUA, nada há... o SUS é um paraíso.)


6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.


Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados.

Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.

7. Todos os imigrantes são obrigados a jurar não ser comunistas para poder viver nos EUA.


Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazista, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.


O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.

9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.


Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.


A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.

Pois aqui vemos um pouco do que não vemos. Quer dizer, nos é vendida a imagem do EUA como sendo um país livre e igualitário, onde há oportunidades para todos. Mas a realidade é bem diferente.